Como principal entidade representativa de uma indústria que é a maior exportadora de proteína bovina do mundo, a Abiec assume sua responsabilidade no enfrentamento desse desafio, que entendemos como uma oportunidade para nosso setor. Nesse contexto, nosso posicionamento em relação à sustentabilidade do sistema agroindustrial da carne pode ser sumarizado nos seguintes pontos:
I. A carne bovina é uma fonte nutricional essencial para dietas saudáveis. Há uma demanda crescente por proteínas, especialmente em países emergentes, impulsionada pelo crescimento em população e renda. O Brasil é capaz de atender a essa demanda, tanto internamente quanto no plano global, de forma sustentável, oferecendo segurança alimentar, contribuindo para o enfrentamento da mudança do clima e preservando a biodiversidade;

II. Nas últimas décadas, a pecuária brasileira tem aumentado sua eficiência e produtividade, ampliando a produção de carne por animal e por área de pastagem. Produzimos mais com menos recursos naturais e reduzimos emissões por cada quilo de carne produzida, graças ao uso de tecnologia, boas práticas e técnicas de agricultura de baixo carbono, como a restauração de pastagens e a integração lavoura pecuária floresta (ILPF);

III. Entendemos o mercado como um grande indutor de eficiência na pecuária, traduzindo as demandas dos consumidores em critérios de produção. Os ganhos recentes do setor em produtividade decorrem, em parte, desses incentivos. Nesse contexto, o livre mercado é a melhor maneira de fortalecer a sustentabilidade da pecuária. Restringir acesso a mercados representa também uma barreira à melhoria contínua no setor;
IV. Apesar de toda a evolução dos últimos anos, ainda persistem grande assimetrias de produtividade na pecuária, o que permite afirmar que é possível aumentar a produção de carne bovina sem a necessidade de expansão da atividade para novas áreas. Por outro lado, reduzir essas assimetrias implica em direcionar investimentos e assistência técnica e tecnologia para produtores na base da pirâmide;
V. O Brasil conta com um robusto arcabouço de políticas públicas para atingir o objetivo da produção sustentável. Entre essas políticas, destacam-se o Plano Clima, os Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento nos Biomas brasileiros, o Código Florestal Brasileiro e o Plano de Agricultura de Baixo Carbono – ABC+. A Abiec apoia firmemente a implementação dessas políticas, incluindo o objetivo de zerar o desmatamento até 2030, conforme previsto nos compromissos climáticos brasileiros;
VI. A criação de mecanismos de incentivo à adoção de boas práticas agropecuárias, à conservação de vegetação nativa e ao paga mento por serviços ambientais deve estar no foco da cooperação internacional e das parcerias público privadas;
VII. O avanço da pecuária no território brasileiro é fruto de um processo histórico de ocupação territorial e expansão de fronteiras, planejado e incentivado por sucessivos governos, desde a década de 70, a partir de grandes projetos de infraestrutura e colonização, o que acarretou a conversão de novas áreas para produção agropecuária. No entanto o desmatamento que ocorre hoje no Brasil é predominantemente ilegal. Segundo estudo divulgado pelo PPCDAM, cerca de 75% desse desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas públicas, e apenas 25% em áreas privadas. Desde 2009, nossas empresas associadas que operam no bioma amazônico assumiram compromissos públicos, em parceria com o Ministério Público Federal e o terceiro setor, de respeitar critérios socioambientais na originação de animais, tais como a regularidade ambiental das propriedades rurais, o respeito a territórios indígenas e a ausência de desmatamento ilegal, entre outros. Por meio de sistemas que usam geotecnologia e inteligência artificial, o monitoramento desses critérios chega, atualmente, até os fornecedores diretos de gado aos frigoríficos, e avançara gradualmente nos próximos anos;

VIII. O Brasil já conta com uma sólida política de rastreabilidade baseada no controle do trânsito de animais, construída como parte de um sistema de defesa agropecuária para fins de controle sanitário. Esse sistema garante a sanidade da carne brasileira e respalda seu acesso a mais de 150 mercados globalmente. O monitoramento dos demais elos da cadeira produtiva e a rastreabilidade individual de animais é o grande desafio setorial, que vem sendo enfrentado pela indústria, com investimentos em tecnologia e engajamento com os produtores. O uso da rastreabilidade para fins de controle socioambiental em toda a cadeia, incluindo fornecedores indiretos, implica em aprimoramentos que estão sendo construídos em um diálogo entre o setor e o governo brasileiro. Entre esses aprimoramentos, está a integração de bases de dados públicas de controle sanitário e trânsito de animais com informações ambientais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Novas políticas públicas, como o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos e a Plataforma AgroBrasil+ Sustentável, além de iniciativas estaduais, têm como prioridade ampliar a rastreabilidade e a integridade ambiental na cadeia produtiva;
IX. É necessária a mobilização de todos os elos da cadeia e a união de esforços públicos e privados em torno das ações necessárias para acelerar a descarbonização dos sistemas produtivos.
X. Como uma Associação que representa hoje 80% dos abates SIF e 98% das exportações, a Abiec e suas indústrias associadas atuam continuamente para o setor contribua positivamente com a agenda do clima e com o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

