
Brazilian Beef encerra participação na Saudi Food Show com mais de US$ 8 milhões em negócios
outubro 6, 2026Embarques recuam em setembro com menor fluxo para a China, enquanto resultado acumulado permanece próximo ao registrado em 2025
As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 229,3 mil toneladas em setembro de 2026, redução de 35,1% em relação às 353,1 mil toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025. A receita foi de US$ 1,38 bilhão, 27,6% abaixo dos US$ 1,90 bilhão registrados há um ano. Na comparação com agosto, o volume apresentou leve recuo de 1,8%, enquanto a receita avançou 1,1%. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O desempenho do mês segue refletindo principalmente a forte redução dos embarques para a China diante da salvaguarda em vigor no país. Em setembro, foram destinadas ao mercado chinês 12,9 mil toneladas, com receita de US$ 75,2 milhões, quedas de 93,2% em volume e 92,9% em valor na comparação com setembro de 2025.
A redução encerra um trimestre de menor fluxo para o mercado chinês, depois de um primeiro semestre de embarques mais intensos. Em junho, as exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 317 mil toneladas, com US$ 1,97 bilhão em receita. O volume passou para 264 mil toneladas em julho, com US$ 1,58 bilhão; 233 mil toneladas em agosto, com US$ 1,36 bilhão; e 229 mil toneladas em setembro, com US$ 1,38 bilhão. No início do ano, foram 264 mil toneladas e US$ 1,40 bilhão em janeiro; 267 mil toneladas e US$ 1,44 bilhão em fevereiro; 271 mil toneladas e US$ 1,48 bilhão em março; 288 mil toneladas e US$ 1,72 bilhão em abril; e 297 mil toneladas e US$ 1,83 bilhão em maio.
Em coletiva de imprensa realizada em setembro, o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, destacou que o comportamento dos últimos meses está diretamente relacionado à redução das vendas para a China e ressaltou a capacidade demonstrada pela indústria no primeiro semestre.
“Passamos por três meses muito difíceis, julho, agosto e setembro, por não termos a possibilidade de vender normalmente para a China. Reduzimos em cerca de 90% os embarques, enquanto as indústrias tiveram um grande avanço nas exportações no primeiro semestre, o que mostra a capacidade brasileira de produção e da indústria de processamento. Temos alguns alentos em outros mercados, mas eles ainda não são capazes de substituir automaticamente a demanda chinesa”, afirmou Perosa.
Mercados em setembro
Os Estados Unidos receberam 48,3 mil toneladas de carne bovina brasileira em setembro, crescimento de 389% em relação ao mesmo mês de 2025, com receita de US$ 313,8 milhões, alta de 333,8%. O Chile registrou 19,4 mil toneladas (+87,2%) e US$ 117,5 milhões (+107,7%), enquanto a Rússia recebeu 13,1 mil toneladas (+20,5%) e US$ 66,5 milhões (+40,2%).
A União Europeia registrou 20 mil toneladas e US$ 178,7 milhões no mês, variações de 29,7% em volume e 34,7% em valor na comparação anual. Os números, no entanto, devem ser considerados diante da interrupção do fluxo de embarques ao bloco a partir de setembro, após a entrada em vigor das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.
Outros destinos também ampliaram as compras no mês. A Indonésia recebeu 9,4 mil toneladas (+822%), com US$ 33 milhões (+642,2%); a Arábia Saudita, 7,7 mil toneladas (+35,8%) e US$ 44,4 milhões (+49,9%); a Turquia, 5,9 mil toneladas (+129,5%) e US$ 34,8 milhões (+135,2%); e o Canadá, 4 mil toneladas (+870,7%) e US$ 22,9 milhões (+830,8%).
Acumulado do ano
Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina, praticamente em linha com as 2,44 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025, com variação de -0,5%. A receita somou US$ 14,17 bilhões, crescimento de 14,1% em relação aos US$ 12,42 bilhões dos nove primeiros meses do ano passado.
A China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira. Nos nove primeiros meses de 2026, foram embarcadas 912 mil toneladas para o país, com receita de US$ 5,59 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve redução de 20,9% em volume e de 7,8% em valor. O mercado chinês respondeu por 37,5% do volume e 39,4% da receita das exportações brasileiras no período.
Os Estados Unidos somaram 317,4 mil toneladas (+45%) e US$ 2,08 bilhões (+60,8%). O Chile registrou 126,7 mil toneladas (+38,2%) e US$ 768 milhões (+54,4%), enquanto a Rússia alcançou 109,4 mil toneladas (+28,6%) e US$ 531,8 milhões (+45,7%).
A União Europeia acumulou 107,1 mil toneladas e US$ 942,8 milhões, crescimentos de 27% em volume e 37,9% em valor na comparação com janeiro a setembro de 2025. O resultado, porém, inclui o período anterior à interrupção do fluxo de embarques em setembro.
Entre outros destinos com crescimento no acumulado estão a Indonésia, com 64,7 mil toneladas (+294,8%) e US$ 179,7 milhões (+136,1%); a Arábia Saudita, com 57,7 mil toneladas (+26,3%) e US$ 342,6 milhões (+56%); a Argentina, com 20,8 mil toneladas (+101,5%) e US$ 95,1 milhões (+147,6%); a Turquia, com 20,6 mil toneladas (+31,9%) e US$ 121,5 milhões (+57,4%); e a Jordânia, com 17,8 mil toneladas (+57,4%) e US$ 98 milhões (+82,8%).
Com a aproximação do fim do ano, a indústria também começa a se preparar para as negociações e os embarques destinados ao próximo ciclo da cota chinesa. A ABIEC mantém diálogo com o governo sobre alternativas que permitam uma utilização mais equilibrada da cota ao longo de 2027.
“Este ano nós já sabemos das cotas e as empresas começam a se programar para vender para a China em meados de outubro e novembro, a depender dos contratos com os navios, para que o produto chegue no próximo ciclo. No começo do ano, discutimos com o governo uma forma de diluir os embarques ao longo do período. Essa conversa continua, porque, do ponto de vista de negócio, o melhor seria distribuir essas vendas ao longo do ano”, explicou Perosa.
Perfil dos embarques
A carne bovina in natura respondeu por 85,1% do volume exportado em setembro, com 195,2 mil toneladas e receita de US$ 1,23 bilhão. Os miúdos somaram 16,3 mil toneladas e US$ 39,2 milhões; os produtos industrializados, 9 mil toneladas e US$ 85,3 milhões; as gorduras, 5,3 mil toneladas e US$ 12 milhões; as tripas, 3 mil toneladas e US$ 10,7 milhões; e as carnes salgadas, 474 toneladas e US$ 3,6 milhões.


